terça-feira, 16 de dezembro de 2008


A dialética histórica.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Copom afronta Lula e mantém juro; Fiep pede mudança no BC

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu ''ainda'' manter a taxa básica de juro (Selic) em 13,75% ao ano, sem viés nem de alta e nem de baixa. A decisão, condenada por protestos das centrais sindicais e uma ''calamidade inaceitável'' por entidades patronais, é também uma afronta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo os rumores que chegaram à imprensa nos últimos dias.


A decisão veio após quatro horas de reunião. A lacônica nota oficial de praxe admite desta vez que ''a maioria dos membros do Comitê discutiu a possibilidade de reduzir o juro'', mas anuncia que a decisão tomada, ''ainda'', foi ''por unanimidade''. Veja a íntegra da nota:


''Tendo a maioria dos membros do Comitê discutido a possibilidade de reduzir a taxa básica de juros já nesta reunião, em ambiente macroeconômico que continua cercado por grande incerteza, o Copom decidiu por unanimidade, ainda manter a taxa Selic em 13,75% a. a., sem viés, neste momento. O Comitê irá monitorar atentamente a evolução do cenário prospectivo para a inflação com vistas a definir tempestivamente os próximos passos de sua estratégia de política monetária.''


Finanças dizem amém, indústria não


Conforme a liturgia do Banco Central, a ata desta reunião será divulgada em 18 de dezembro, próxima quinta-feira, às 8h30. A próxima reunião do Copom ocorre nos dias 20 e 21 de janeiro de 2009.


A taxa Selic está em 13,75% desde 10 de setembro de 2008, após sucessivas majorações que a elevaram em 2,5 pontos. Essa é a segunda estabilidade seguida da taxa, após a do fim de outubro.


Entre os analistas das chamadas instituições financeiras, esta era a previsão amplamente majoritária. De 60 dessas instituições consultadas pelo AE Projeções, 58 esperavam a manutenção da taxa e apenas duas aguardavam redução, com o menor índice conforme a praxe do Copom, de 0,25 ponto porcentual.


Já na esfera do chamado capital produtivo, a primeira reação foi francamente crítica: o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, afirmou que é preciso mudar a condução do Banco Central. “Ao manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano a equipe do Banco Central se mostrou obsoleta para lidar com o cenário e os efeitos da crise”, disse.


Horas antes, as manifestações promovidas pelas centrais sindicais na tentativa de sensibilizar o Copom insistiram nesta mesma tecla: 'Ou caem os juros, ou cai Meirelles', foi a palavra-de-ordem (clique aqui para ver mais).


''Uma verdadeira calamidade''


Na avaliação do dirigente da Fiep, deixar a taxa neste nível representa a validação de uma política recessiva. “Não podemos aceitar a decisão do Copom. Ela se mostra uma verdadeira calamidade ao não agir para evitar a destruição do espírito empreendedor que fez o país crescer nos últimos anos. O governo precisa agir rápida e pesadamente em favor da produção, ajustando a política monetária e cambial para que tenhamos capacidade de financiar o setor produtivo”, destaca.


“Não se justifica o uso da pseudo-ortodoxia em vigor em nome de uma suposta ameaça inflacionária que só é enxergada pelos `guardiões da moeda`. Em termos do balanceamento de riscos entre inflação e recessão, não há nenhuma dúvida de que o risco de recessão é muitíssimo maior e possui, caso se confirme, conseqüências mais negativas para a economia como um todo”, argumentou Rocha Loures.


Da redação, com agências

Fonte: http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=48053


950 milhões de pessoas passam fome no mundo


O número de pessoas que passam fome em todo o mundo aumentou em 40 milhões este ano, segundo informações divulgadas esta semana pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). Com isso, o número de famintos pode chegar a 943 milhões, contra os 923 milhões estimados em 2007.



No ano passado, a maior parte da população subnutrida, 907 milhões, vivia nos países em desenvolvimento, de acordo com o informe da FAO intitulado O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo – SOFI 2008. Desses, 65% estavam em sete países: Índia, China, República Democrática do Congo, Bangladesh, Indonésia, Paquistão e Etiópia.


Apesar de, segundo dados da FAO, quase dois terços da população que passa fome estar na Ásia, 583 milhões em 2007, a região com o maior percentual de famintos é a África Subsaariana, onde um em cada três habitantes sofre desnutrição crônica, num total de 236 milhões em 2007.


Ainda assim, a região fez progressos em termos proporcionais. O percentual de pessoas da África Subsaariana com fome crônica, segundo o informe, baixou de 34% no período 1995-97 para 30% entre 2003 e 2005.


Gana foi o único país da região que conseguiu alcançar os níveis de redução da fome da Cúpula Mundial da Alimentação e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, de erradicar a pobreza extrema e a fome.


Na América Latina, o número de famintos chegou a 51 milhões no ano passado, apesar do sucesso no combate à fome antes da crise de aumento nos preços dos alimentos.


Agência Brasil

Fonte http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=48030

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Anos 90 e anos 2000 , quanta diferença de uma década para outra


Quem imaginaria no final do século passado os meios de comunicação noticiando a intervenção do Estado na Economia, ninguém apostaria que isso poderia acontecer, os “especuladores de plantão “ , os gurus neoliberais pregavam exatamente o contrário, as privatizações das principais estatais, da saúde pública, defendiam que os direitos dos trabalhadores impedia o crescimento econômico , que a educação deveria ser vista pelo estado com despesa e não como investimento, que os mecanismo de distribuição de renda eram coisas do passado.

E hoje temos os noticiários inundando de matérias que foi aprovado no Congresso Nacional Estadunidense o pacote de ajuda de mais de 25 bilhões de dólares do Governo dos EUA para as montadoras. Onde estabeleceram duras regras a serem seguidas por estas corporações, além disso o Governo do EUA passou a ser detentor de perto de 20 % das principais ações das companhias automobilísticas. Com esta medida, é claro que as bolsas de valores pelo mundo iriam subir, mais dinheiro público para esse saco sem fundo .

O pior de tudo é que estes mesmos veículos de comunicação não fazem reflexão sobre aquilo que foram pilares fundamentais e que ajudaram a construir as desregulamentações do Estado.

Parece que o Muro de Berlim dos neoliberais acabou de cair. Os fatos demonstram que o mercado não conseguiu se auto regular como defendiam quando lapidavam os Estados Nacionais. Há muito tempo vários intelectuais apontavam que este sistema entraria em colapso, em crise. Defendiam que o próprio neoliberalismo foi um mecanismo de dar sobre vida ao capitalismo o que estranhavam era como este sistema conseguiu ser aprovado pelos mecanismos democráticos ”Até que ponto as propostas neoliberais podem continuar tendo passagem politicamente democrática, na medida em que deterioram a vida da massa da população” ( NETTO, José Paulo, Repensando o balanço do neoliberalismo.In. SADER, Emir(Org) Pós-neoliberalismo: As Políticas Sociais e o Estado Democrático.Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995, p.31).

Os movimentos sociais sempre estiveram denunciando os acertos e as tremendas desigualdades causadas no mundo inteiro por este sistema, que hoje quer dividir os prejuízos com aqueles que nunca tiveram acesso aos ganhos. Temos que continuar a dar resposta a esta discussão de 1995.

Não podemos esquecer de relatar vários fatores que convergem neste processo: para poder aprovar as medidas neoliberais ao longo de 20 anos, montou-se uma grande trama de corrupção que passa pelo executivo, legislativo e principalmente pelo judiciário, basta lembrar o caso de Daniel Dantas, que começa atuar no final dos anos 90. Esse grupo de investidores e especuladores acabou convergindo com ajuda dos grandes veículos de comunicação em um poder paralelo ao Estado.

Para pensarmos a crise não podemos se ater somente ao agora, precisamos pensa-lo no processo histórico que se desenvolveu, para que esta crise não seja usado como mais um mecanismo de sobre vida ao capitalismo.Para isso somente os movimentos sociais organizados conseguiram dar respostas a esta ofensiva contra as garantias conquistadas principalmente a dos trabalhadores.

Lisandro Vieira

Professor de História

Mestrando em História UEM

Vice-Presidente do PCdoB-Guarapuava

Fim do neoliberalismo, a virada

Esta matéria que segue foi publicada julho de 2000, na Revista Caros Amigos , do jornalista Aloysio Biondi, onde discute os novos rumos dos capitalismo a partir daquilo que chamou de Consenso de Berlim, do novo peso da Europa na economia mundial e do endividamento da maior economia do mundo, que é o centro da crise mundial atual. O próprio texto fala por si, com muitos pontos que ajudam a debater o presente.

Fim do neoliberalismo, a virada

Revista Caros Amigos , julho de 2000


Houve outra “virada” na própria história do planeta Terra, que a grande imprensa e analistas simplesmente ignoraram. Reunidos na capital alemã em princípios de junho, os chefes de Estado dos sete países ricos, agrupados no chamado G-7, assinaram um tratado rejeitando as políticas neoliberais Já chamado de Consenso de Berlim, como substituto do Consenso de Washington que deu origem à onda neoliberal, o acordo chegou até a ser noticiado pelos jornais, no dia de sua assinatura – mas depois o silêncio foi total: nem uma análise, nem uma entrevista, nem uma suíte, nada de nada. No entanto, as conseqüências para os rumos da humanidade são óbvias (até a próxima “virada”, claro): são enterradas as teorias que dominaram o mundo nos últimos anos pelas quais o Estado deveria interferir o mínimo na vida dos países, deixando que “o mercado” se incumbisse de fazer todos os ajustes na economia – inclusive quanto à criação de empregos e melhora na distribuição da renda. As questões sociais foram varridas do mapa, aceitando-se a impiedosa “exclusão de centenas de milhões de seres humanos”, em nome da “eficiência” e da “globalização” impulsionada pelo FMI e Banco Mundial, a onda neoliberal, como muitos críticos previam, no final das contas não passou de uma gigantesca gazua que os países ricos, e não apenas os EUA, mas também e principalmente a Europa, usaram para tomar de assalto os recursos naturais e depois até as fábricas de pão de queijo dos países “emergentes”, que, mui obedientemente, viraram imergentes.

Mais uma vez, vai-se tentar apresentar a reviravolta como uma “surpresa”, algo surgido da noite para o dia. Na verdade, ela tem tudo a ver com outras mudanças radicais no “jogo do poder” internacional, também ignoradas nos anos recentes, e para as quais esta coluna, mais de uma vez, tentou chamar a atenção. Em síntese, o neoliberalismo está sendo enterrado como conseqüência do aumento do poderio econômico e político da Europa, que coincide com o agravamento dos problemas da economia dos EUA (mantidos na sombra por uma prosperidade com pés de barro, e pelo ensandecido boom nas bolsas de valores). A Europa passa a dividir, de fato, a hegemonia mundial com os EUA – e o euro passa a fazer frente ao dólar, como moeda de aceitação internacional.

AS MUDANÇAS POLÍTICAS

Todas essas mudanças marcantes, ao longo dos últimos dois anos sobretudo, foram ignoradas à direita e à esquerda. No caso da direita,o silêncio talvez tenha sido e continue a ser deliberado, já que toda a sua máquina de propaganda esteve voltada para vender a idéia de que o modelo neoliberal era o caminho certo para o nirvana da prosperidade mundial, apresentando os EUA como a melhor prova dessa tese (dentro da “lavagem cerebral” neoliberal, vale relembrar a matéria de capa sórdida publicada em 1999 pela tradicionalmente respeitável revisa The Economist prevendo “crise iminente” e terremoto social na China...). Se a direita defendia seus interesses, a esquerda, como sempre, mergulhava em discussões intermináveis, ótimas para “seminários”, sobre qual a chamada “via” que os partidos socialistas europeus estavam trilhando: segunda, terceira, quarta, quinta? Blair é um traidor? Jospin é um burguesinho? Esses debates intelectualóides impediram que se enxergasse outro rato histórico, certamente o nascedouro do Consenso de Berlim, ou o começo do fim do neoliberalismo. A partir do final de 1998, quando Schröeder venceu as eleições na Alemanha, todos os principais países europeus passaram a ser governados por partidos de esquerda. Menos espetaculosa que a queda do muro, dez anos antes, essa hegemonia dos partidos socialistas – de que “via” sejam – obviamente teria reflexos nas decisões políticas da Europa, entre as quais a rejeição às teorias neoliberais eram favas contadas. A guinada já estava em marcha. A homogeneidade de objetivos entre os governos de esquerda contribuiu para acelerar a implantação do euro, em janeiro do ano passado, com a superação de conflitos “nacionalistas” entre França e Alemanha, por exemplo.

AS MUDANÇAS ECONÔMICAS

Em economia, a aparência freqüentemente pode ser o oposto da realidade. Nos últimos anos, o noticiário sobre a “prosperidade norte-americana” assombrou o mundo. E a “fraqueza” do euro diante do dólar impressionou os incautos. Tudo aparência. Há décadas, a economia norte-americana mantém seu crescimento à custa de importações maciças, muito acima do valor das exportações, acumulando rombos fantásticos em sua balança comercial. Qualquer país nessa situação deficitária é forçado a desvalorizar sua moeda, para encarecer (e reduzir) as importações e baratear (e aumentar) as exportações, em busca de equilíbrio em suas trocas com o resto do mundo. Os EUA sempre fugiram à regra, simplesmente emitindo dólares para pagar suas compras – o que, já na década de 60, faria o presidente francês De Gaulle chamar o dólar de mero “papel pintado”. Ou fez o ex-ministro americanófilo empedernido, Roberto Campos, chamar os EUA de “caloteiro mundial número um”, no ano passado. Até 1998, o déficit mensal dos EUA com outros países chegava a incríveis 15 a l8 bilhões dedólares –por mês. Em 1999,ele saltou para os 25 bilhões de dólares, e hoje está na faixa dos 30 bilhões de dólares. Por mês. Já em 1999, o BIS, banco central dos bancos centrais, em seu relatório divulgado em meados do ano, dizia que a situação era insustentável, e que o dólar deveria ser desvalorizado no mínimo em 23 por cento em relação ao euro, e em 28 por cento em relação ao iene japonês. Essa, a lógica econômica. Mas aconteceu o contrário: o dólar continuou a valorizar-se, e o curo a despencar. Por trás dessa tendência, esteve presente um fator que o cidadão comum dificilmente consegue entender: a queda do euro interessava à União Européia, exatamente para baratear suas exportações e encarecer as importações. Isto é, uma estratégia que chegou a provocar protestos oficiais de Clinton. Na prática, o euro desvalorizado permitiu aos países da União Européia baterem recordes de exportação, manterem a economia (e o emprego) em crescimento – e acumularem um saldo positivo na faixa de 200 bilhões de dólares anuais. Enquanto isso, os EUA apresentam um “rombo” de 300 bilhões de dólares e que caminha para os 360 bilhões de dólares em doze meses. O que a Europa tem feito com essa enxurrada de dólares? Basta olhar ao redor: suas multinacionais e bancos vêm comprando empresas e “concorrentes” em todo o mundo, inclusive nos próprios EUA. Enquanto os holofotes estavam concentrados na “prosperidade norte-americana”, a Europa ampliava seu poder ao redor do mundo, pela presença crescente de suas empresas também em áreas estratégicas como energia, petróleo, telecomunicações. Os EUA já não detêm a hegemonia econômica absoluta – nem a política, no mundo. A mudança se refletirá sobre o dólar, e seu poderio irreal.

Além da ascensão européia, não se pode ignorar dois outros fenômenos que contribuíram para o enterro do neoliberalismo. Primeiro: os relatórios anuais do Banco Mundial e FMI, de outubro do ano passado, que mostravam o avanço da miséria em todo o mundo, simultaneamente ao aumento do fosso entre países ricos e pobres, contrariando todos os mitos das vantagens da globalização e “sabedoria do mercado”. Segundo: as gigantescas manifestações de rua, primeiramente em Seattle, contra essas mesmas conseqüências da “onda neoliberal”. Um cínico diria finalmente que, agora que “já comprou tudo”, a Europa pode dar-se o luxo de ser boazinha com suas novas colônias, como o Brasil de Ferdinand Henri...


Fonte: http://www.aloysiobiondi.com.br/spip.php?article1081&var_recherche=O%20brasil%20privatizado


PCdoB defende investimentos públicos para enfrentar a crise

A Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil reuniu-se nesta segunda feira (8) para analisar a situação política criada com os reflexos da crise econômica e financeira mundial no país -- e para propor um conjunto de medidas para que o Brasil possa superar o atual quadro de dificuldades. Os dirigentes comunistas aproveitaram a ocasião para também fazer um balanço da atividade partidária neste ano de 2008, quando o PCdoB obteve grandes avanços políticos nas diversas esferas de atividade partidária.



O presidente do PCdoB, Renato Rabelo, em sua análise da situação mundial, partiu de um retrospecto das primeiras iniciativas do próximo governo eleito nos Estados Unidos, capitaneado por Barack Obama. As tendências que se apresentam na montagem do gabinete Obama, disse Renato, mostram um perfil muito próximo do anterior governo de Bill Clinton. Até o lingüista e acadêmico prestigiado Noam Chomsky, em entrevista recente, procura identificar a linha do próximo presidente americano como um governo de centro dentro do próprio Partido Democrata. Obama justifica sua atitude como sendo fruto de uma política em que ele aproveitaria a “experiência” destes quadros do atual governo Bush sob seu comando, dentro de sua “visão”.

Na esfera econômica e financeira, Renato destaca o fato de que esta crise atual do capitalismo, em seus desdobramentos, atinge a economia real. A recessão foi devidamente identificada nos Estados Unidos, já presente na Europa e no Japão. Os problemas de escassez de crédito e financiamento se avolumam por todo o mundo. O prêmio Nobel de economia, Paul Krugman, em artigo na imprensa americana, vaticinou o desaparecimento da indústria automobilística nos EUA, em forma semelhante como aconteceu no passado, na Inglaterra. Em vários países europeus, como na Espanha, se verifica um dos menores índices de crescimento econômico, provocando desemprego em proporção crescente.

Renato lembrou também opinião recente do economista Paulo Nogueira Batista Jr, hoje na diretoria do Fundo Monetário Internacional, que identifica o círculo vicioso que abala a economia real, que por sua vez interfere na crise financeira, provocando grande instabilidade, gerando tormentas de todo o tipo na esfera social na Europa e nos EUA, e que atinge toda a chamada periferia do sistema capitalista mundial. Mesmo os pólos dinâmicos são também atingidos, como a China, a Índia, o Brasil e a Rússia.

No Brasil, comentou Renato, começamos a identificar o curso da conformação dos núcleos de forças políticas para 2010, em função da eleição presidencial. É uma polarização que se estabelece entre os tucanos, onde a figura maior é o governador José Serra, e as forças lideradas por Lula. As alianças que estão sendo construídas pela oposição, em âmbito nacional em torno dos tucanos, abarcam todas as instâncias, desde os Governos estaduais, as bancadas federais e estaduais, a mesa da Câmara e do Senado. O PSDB e o DEM – junto com o PPS --procuram atrair o Partido Verde para seu campo de influência. A disputa real é em torno do PMDB, que tradicionalmente tem sido o fiel da balança, e que cobra caro o seu apoio.

No campo de apoio do governo, o presidente Lula tenta firmar a candidatura da Ministra Dilma Rousseff, vinculando-a às realizações mais importantes do governo. Ela ainda não se apresentou formalmente aos partidos políticos. A candidatura de Serra, ao contrário, vai ocupando espaços, conquistando setores vacilantes. Nem o próprio PT está fechado com a candidatura Dilma. Os resultados políticos do Governo são muito positivos, mas não consegue passar este patrimônio político automaticamente.

Renato Rabelo destacou ainda em sua apreciação o papel da mídia brasileira, nesta grande batalha política em curso. Toda a grande mídia está comprometida com a volta dos tucanos em 2010: 1) Os grandes órgãos de imprensa e TV torcem para a crise se agravar; 2) Fazem crer que o Governo provoca uma grande gastança dos recursos públicos, apesar de retratarem em suas próprias páginas como os países desenvolvidos têm enfrentado a crise, investindo para todo o lado para salvar o capitalismo; 3) A mídia procura também apresentar o Estado como emprestador de última instância, mas que é – na realidade -- o salvador de última instância do grande capital; 4) O Brasil é o único país que tem o maior superávit fiscal do mundo, e possui um pólo de sistema bancário público importante, como o BNDES, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o Banco do Nordeste e o Banco da Amazônia. A mídia procura desmoralizar de todas as formas o setor público; 5) Por fim, Renato se referiu à tentativa permanente da mídia de inviabilizar a integração do continente sul-americano.

Renato procurou demonstrar, em suas conclusões, que a repercussão da crise mundial no país poderá apresentar uma verdadeira encruzilhada para o Governo Lula. Se o presidente tomar uma atitude apenas defensiva, a situação poderá se agravar e desidratar as conquistas do Governo -- quebrando a estabilidade econômica, impedindo a agilização do PAC e do investimento social -- e todas as conquistas poderão ser perdidas. Enquanto isso, as forças da direita podem se apresentar como salvadoras da Pátria, apoiadas pela mídia. Mas se o Governo se sair de forma favorável da crise mundial, Lula se fortalece mais ainda, e pode haver um certo clamor da maioria da Nação para que Lula continue no comando do país.

Nesta reunião da Comissão Política, o PCdoB se posicionou em torno de medidas concretas para que o país estabeleça medidas de defesa da economia nacional. Lula, em suas entrevistas, tem procurado fortalecer a economia, faz discurso para estimular o consumo popular. O Governo procura liberar o compulsório para irrigar o crédito, organiza o Fundo Soberano, e fortalecer o sistema bancário público, e aplica uma parte do superávit primário para o investimento. O PCdoB vai lutar para defender a economia nacional, o investimento público e a queda dos juros da taxa Selic. O Partido Comunista, segundo Renato, deve conclamar todas as principais instâncias políticas do Governo a superar a escassez de crédito, impedir a fuga de capitais, combater a especulação contra o Real, onde o Banco Central já queimou dezenas de bilhões de Reais, com resultados pífios. Será necessário algum tipo de controle do câmbio e do fluxo de capitais especulativos. A banca privada tem poderes ilimitados no Brasil e já deveríamos conter os spreads abusivos, as elevadas taxas de juros reais, atualmente no patamar dos 7%, as mais altas do mundo, numa nova realidade econômica e financeira que exige políticas monetária e fiscal de caráter expansivo. A outra vertente fundamental da política do PCdoB é a defesa da renda do trabalho, do emprego e dos direitos dos trabalhadores. O movimento sindical, ponderou Renato, com a Marcha das Centrais, que mobilizou mais de 35 mil pessoas, deu um sinal dos trabalhadores ao Executivo e ao Legislativo, em Brasília, na semana passada. Este movimento unificou as 6 centrais dos trabalhadores, que levantaram as bandeiras da valorização do Trabalho, da manutenção dos aumentos do salário mínimo, numa plataforma comum que fato importante para o movimento social.

Por fim, os dirigentes comunistas ressaltaram os resultados positivos de sua atividade em 2008. O resultado eleitoral foi importante, resumiu Renato Rabelo, pois o PCdoB saiu-se muito bem nas eleições e conseguiu ter uma participação maior, ampliando sua influência. No movimento social, os comunistas conquistaram vitórias importantes, como foi o caso da construção junto com outras forças políticas e sindicais da fundação da CTB. No plano estritamente partidário o PCdoB consolidou a sede própria, conseguiu apoiar financeiramente as campanhas eleitorais nos Estados e já definiu seu projeto eleitoral para 2010, que em resumo é eleger uma grande bancada de deputados e deputadas federais para 2010.

De São Paulo,
Pedro de Oliveira

Fonte: http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=47903

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Dantas e a Vidente




Esta charge ajuda a pensar a anterior.


É tão descarado que até nossos vereadores querem votação secreta.


Reflexo das instâncias maiores sobre as menores